sokillme eu vou escrever todo um texto auto-biográfico gigantesco egocêntrico sobre a minha pessoa. já já.
15.8.08
Eventos em família são bonitinhos fofinhos mimimi, mas eles sempre geram um estresse que nenhuma outra coisa na vida é capaz de proporcionar. Já começa pela sua mãe abrindo a janela do seu quarto as ONZE DA MANHÃ DE UM DOMINGO, exigindo que você acorde, e claro, frisando o tempo todo o quanto você é um filho sem espécie de consideração NENHUMA o ano todo e que, naquela data, somente naquela data (entenda como dia das mães, dia dos pais, natal, páscoa), você poderia fingir que é um filho lindo que ama toda a família e quer confraternizar aquele momento MÁGICO com todos eles. E lá ela fica, por horas e horas descrevendo toda a escrotidão do seu ser. Aí você levanta, porque numa certa altura da vida você percebe que discutir com os pais é a maior perda de tempo ever. Você NUNCA vai estar certo. Sério, NUNCA. Eles têm sempre razão, quer você queira quer não. Essa deve ser a regra suprema da cartilha de “seja um pai de sucesso” e eu não vejo a hora de ter filhos pra mandá-los lustrarem os meus sapatos.
Mas enfim, você cede as vontades da sua família porque afinal, é Natal né? Os pais não entendem que o fato de você não estar afim de encontrar aquela parentaiada toda, não significa que você goste menos deles. Dos pais, claro. A parentaiada eu botaria num busão pro Alasca com meio quilo de manjubinha e olhe lá. Mas enfim, tudo isso só pra chegar no ponto crucial da coisa toda: os parentes. Eu amo meus avós, minhas tias, sou completamente apaixonada pelos meus primos. Sério, sou total Felícia com eles. Mas eu não consigo aturar os agregados. Tudo que vai além de tias, primos e avós, eu enquadro na categoria de agregado. Irmã da avó? Agregada. Prima do pai? Agregada. Filho da prima do pai? Nem preciso dizer, né. E nem é que eles são chatos não. Ou não TÃO chatos. Meio chatinhos, sabe? Fulano fica bêbado, pega o violão e toca Legião Urbana a noite toda. Aquela criançada correndo de um lado pro outro e berrando que gostou mais do presente que o irmão ganhou. Mas o meu principal problema com eles AINDA não é esse. Eles são o tipo de gente que quer mostrar que é chique, sabe? Quando não passam de uns pobres que subiram graças ao trabalho semi-escravo. Ok, parabéns, belo mérito, é o que eu busco na vida também. Aí ta, eles resolvem fazer um pré-ceia de Natal diferente e, claro, propõem uns petiscos mexicanos. Comida japonesa não é mais COOL, é coisa do passado. A onda do momento é comida mexicana. E eu nem OUSO reclamar porque eu amo comida mexicana, japonesa, e qualquer tipo de comida. Aí eles fazem lá a guacamole, e como salgadinho, ao invés de comprar no mínimo Doritos (o doritos original é difícil de achar, até entendo), eles compram um Doritos GENÉRICO, que é tipo vinte e cinco centavos mais baratos. WOW, economizou vinte centavos ein? Já dá pra começar a pagar o consórcio pro carro do filhão. Aí ao invés de levarem coca-cola, que porra, NÃO TEM ERRO. Coca-cola faz todo mundo feliz, todo mundo aaama, todo mundo pede bis. Mas nah, pra que levar coca-cola quando se tem BARÉ-COLA? Ou SIMBA-COLA? Ou DOLLY-COLA???? PUTA QUE ME PARIU, isso me sobe o sangue. Eu juro pra vocês! Quando eu vejo aquele refrigerante encostado na geladeira porque obviamente ninguém vai beber, nem mesmo eles que levaram, caralho, me dá vontade de sair esfaqueando todo mundo.
E na real só to escrevendo tudo isso porque eu to indo viajar hoje, e viagem com jovem é sempre esse tipo de coisa. Põe o Simba-limão no carrinho pra misturar com a BALALAIKA (moskowita, baikal, natasha e derivados). Tipo, eu fazia esse tipo de coisa quando eu era pirralha e bebia uma dose de vodka, chegava em casa, vomitava e acordava linda no dia seguinte. Quando a gente cresce, as doses aumentam, e com elas vem a ressaca, que é diretamente proporcional à qualidade da bebida que você toma. Tudo isso pra uma economia tão pequena que não vai dar pra comprar nem um cheeseburger do Mc Donalds, sabe. Quando é uma festa gigante, com grandes quantidades de bebida, até vai, a economia no final pesa mesmo. Mas festinha pra 20 pessoas? Ah, num fode né.
Então fica aqui o meu apelo por uma vida melhor.